Era o cansaço. Do espírito, que por sinal é mais pesado que o físico.

Era a vontade de ficar por ali, não tentar, não alavancar, entregar o jogo, desistir.

Era aquele fone de ouvido enrolado que diziam ser o teste pras luzes emboladas de Natal. Mal sabiam que esses também eram testes pra vida. E por onde começar a arrumar? E se eu puxar aqui e amarrar ainda mais ali? Porque não simplesmente jogar tudo no inferno e comprar outro totalmente novo? Mas não da e a gente sabe. Não da pra comprar outra vida como se compra um fone novo.

Então a gente senta, sente a dor, suporta mais um pouco, vai arrumando devagar e segue em frente, porque já não da mais pra voltar.

Astronauta em Decadência